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Eddie Torres, Um Mito da Salsa

Quem é esse revolucionário da salsa, considerado por muitos como “o maior salsero do mundo” e criador do Estilo New York?

SALSA ESTILO NEW YORK

Nascido no dia 3 de julho de 1950, no mesmo hospital onde nasceu Tito Puente, Eddie Torres foi criado pelos seus pais porto-riquenhos no Harlem Hispânico, conhecido como “El Barrio”, em Nova Iorque. Tinha apenas 12 anos quando se infectou com o bichinho da dança.

Depois de ter morado em Porto Rico por um tempo, apaixonou-se por uma garota do seu bairro, em Nova York. Timidamente, a convidou para ir ao cinema, mas ela deu uma idéia melhor: “Por que você não vem à minha casa?”. Naquele sábado quando Renée abriu a porta, Eddie ficou surpreso ao ver um rapaz alto e bonito sentado no sofá. Renée disse então baixinho para Eddie: “Ele é meu ex-namorado e quer voltar comigo.”. E aí, para quebrar o gelo e aliviar a tensão, ela perguntou a Eddie: “Você sabe latinar?”. Ela queria saber se Eddie sabia dançar música latina.

Como tinha acabado de sair de Porto Rico, fortaleceu-se de confiança. Renée inclinou-se em frente à vitrola e soltou a agulha na maravilhosa música de Eddie Palmieres “Azucar Pá Ti”. Sem saber nada sobre condução de casal ou sobre tempo, o pretendente começou a pular pela sala e olhou para os dois para checar se estava sendo aprovado ou não. Mas seu rival sentado no sofá apertava o queixo, segurando um turbilhão de risadas que estava para explodir. Após dois minutos de demonstração, Renée deixou o inexperiente parceiro de lado, puxou o ex-namorado do sofá e explicou de uma maneira profissional: “Deixe-me te mostrar como nós latinamos.”. Era claro perceber que havia muita coordenação, muitos movimentos feitos pelos dois juntos e uma porção de giros.

Quanto mais eles dançavam, pior Eddie se sentia. Depois da demonstração de Renée com seu ex-namorado, a menina o puxou para um cantinho e disse: “Olha …. ele quer voltar mesmo comigo.”. Daquele momento em diante Eddie prometeu a si mesmo: “Isso nunca mais acontecerá comigo… eu irei aprender a dançar.”.

A idéia de aprender a dançar música latina tornou-se uma obsessão. Matricular-se na escola de dança foi o meio de freqüentar todas as casas noturnas de dança e também de se tornar amigo de todos os bons dançarinos. Ele assistia, imitava, perguntava e era uma peste. Pouco a pouco ele começou a aprender as bases da dança.

Naquela época, não muitas casas noturnas permitiam a entrada de adolescentes, mas o famoso Hunts Point Palace abria todo domingo do final da tarde até a meia-noite. Por cinco dólares a entrada eles apresentavam cinco bandas latinas muito boas. Duas tocavam ao mesmo tempo em dois palcos diferentes. Eddie ficava desde a hora em que o clube abria até a de fechar; exausto, mas determinado a aprender.

Oito anos depois ele já estava ensinando, competindo em concursos de dança e ganhando reputação entre os bons dançarinos como sendo o melhor. Numa noite, enquanto ele dançava todo vestido de branco em uma casa noturna iluminada apenas com luz negra, sua irmã o arrastou para fora da pista de dança. A amiga de sua irmã queria ser apresentada para aquele bom dançarino, em quem ela estava de olho. No escuro, a irmã de Eddie os apresentou: “Renée quero que você conheça Eddie”. Assim que ela reconheceu aquele talentoso dançarino, congelou como se tivesse visto um fantasma. Eddie queria desesperadamente dançar com ela e queria agradecê-la: “Você é a razão de eu ter chegado aqui!”. Mas ela desapareceu… e essa foi a última vez que ele a viu.

APRENDENDO O BÁSICO

Não existiam estúdios onde se pudesse aprender a dançar esse estilo latino, então a presença em casa noturnas era a base de desenvolvimento dos que queriam ser dançarinos, e nem todos os dançarinos eram generosos. Havia dançarinos que não queriam nem que você os olhasse dançando porque não queriam que você aprendesse: “era privado!”. Eddie tinha sorte, pois tinha grande habilidade para aprender os passos somente olhando. Ele observou dançarinos como Louie Máquina (o qual tinha esse nome por causa dos seus footworks incrivelmente rápidos), Gerard (conhecido pela sua forma escandalosamente chocante de dançar), George Boscones (professor dos mais recentes, especialmente de Jo-Jo Smith, um professor profissional de jazz com um jeito particular de dançar mambo jazz).

Os prós daquela época eram Freddy Rios, Cha Cha Aces, Tommy Johnson e a dupla que era a maior influência de todos – a dupla prima-dona: Augie e Margo. Depois da primeira vez que Eddie os viu, Eddie ficou tão eufórico, que não dormiu durante semanas. Ele pensava: “Quero ser Augie, e preciso achar uma Margo.”.

Ele então abriu um negócio como professor de dança, pois queria dividir seu conhecimento. Armado com um estúdio alugado e um grupo de amigos, logo entrou no mercado. Sem conceito nenhum de tempo, técnica ou teoria, sua instrução consistia em dicas rudimentares como: “Vocês estão ouvindo esse contratempo? Isso significa que vocês devem ir para frente com o pé esquerdo e quando perceberem esse contratempo de novo, coloquem o pé direito para trás.”. Isso é conhecido como dançar salsa no tempo dois… logo ele descobriria. Quebrar em dois significava que, em uma medida de quatro tempos, você deve pisar à frente na segunda e na quarta batida. De acordo com o mentor de Eddie, Tito Puente, é por isso que a salsa dançada no tempo dois é tão popular: “ela complementa o gingado da conga e a parte de ritmo.”

TITO, POR FAVOR!

Entre 1975 e 1986, a casa noturna Corso, na East 86th Street, em Nova Iorque, tornou-se o lar da segunda geração da era do Paladium. Às quartas, sextas, sábados e domingos era possível assistir aos passos pomposos de Eddie pela pista de

Eddie Torres e Tito Puente

dança ao som de Tito Puente e Machito. Desde o começo, as músicas de Tito Puente realmente mexiam com ele. Isso aconteceu durante os anos em que Puente tinha a maravilhosa banda com Santos Colón. Testando suas habilidades em concursos de dança, Eddie Torres ganhou tantas vezes que chegou uma hora em que Marty Ahret (o dono da casa noturna Corso), pediu que ele se sentasse para ser juiz das competições.

Numa noite de domingo, quando Tito Puente desceu do palco, Eddie se aproximou e elogiou o maestro. Tito percebeu a perspicácia de Eddie: “Você tem talento para dançar, e deve fazer algo com sua dança em vez de torná-la somente social.”. Eddie retrucou: “Não há professores que ensinem esse estilo.”. E Tito disse: “Esqueça os professores: crie você mesmo; desenvolva suas próprias idéias e coloque um pouco de interpretação pessoal.”. Eddie continuou: “Se eu tivesse um número de dança, poderíamos realizar um trabalho juntos?”. Tito finalizou: “Pense em algo e me mostre.” Tudo o que Eddie queria era dançar com a Banda de Tito.
Oito anos se passaram e então Eddie conheceu Maria, sua futura esposa e parceira de dança. Seus anos de dança e de observação criaram técnicas e estilos muito particulares. Maria, uma professora de ginástica para crianças, sentiu-se bem intimidada no começo, mas rapidamente tornou-se a melhor aluna de Eddie, aprendendo mais rápido do que todo mundo que ele já tinha ensinado. Eddie fazia um passo e, como um relâmpago, ela mostrava a ele o mesmo passo. Mas seu estilo era provinciano e faltava aquela “coisa nova-iorquina” em seus passos.
Instigado pelas possibilidades, Eddie coreografou seus dois primeiros números com as músicas El Cuayuco e Palladium Days, de Tito Puente, e treinou Maria. Em menos de um ano, ela se tornou uma ótima dançarina de palco, mas não tinha experiência alguma em dançar em casas noturnas. Então, quando Eddie apresentou Maria nas casas noturnas como sua nova parceira, seus amigos não achavam que ela era tão boa. Depois de dois anos, os mesmos amigos admitiram: “Sabe, Eddie, ela está ficando muito boa.”. Mas no terceiro ano, eles concordaram sem dúvidas: “Ela é a melhor parceira que você já teve.”

Cheio de entusiasmo em relação a sua parceira de dança, Eddie decidiu que era hora de falar com Tito. Em um Show no Christopher’s Café, no El Barrio, Tito Puente viu Eddie e elogiou muito sua dança. Eddie Torres ofereceu a ele seu cartão dizendo: “Você acha que eu poderia te ‘visitar’ com a minha parceira e mostrar dois números de dança que coreografei? Se você gostar, talvez eu e ela poderíamos fazer um show com você.” Tito não mediu palavras: “Serei honesto com você, Eddie. Estou muito ocupado agora. Não acho que terei tempo de te ligar.”. Eddie franziu a testa e Tito continuou: “Mas deixe-me dizer o que farei: te apresentarei ao meu diretor musical, Jimmy Frisaura. Diga a Jimmy exatamente o que você quer que a música tenha e como você quer que a toquemos e, no nosso próximo show, eu me apresentarei com você e sua parceira.” Eddie ficou até tonto de tão surpreso!
O ano foi 1980. Foi um sonho que tornou-se realidade: o show de estréia com Tito Puente aconteceu no New York Coliseum como parte de uma Grande Exposição Latina. Eddie estava muito apreensivo, mas ele e sua parceira, Maria, estavam muito preparados. Eles fizeram a apresentação com a música El Cayuco primeiro e depois deslancharam com a Palladium Days. A Platéia foi conquistada e Tito estampava um enorme sorriso no rosto. Foi um sucesso total.

Eddie Torres e Tito Puente numa conversa amigável.

Daquele dia em diante, para qualquer lugar que Tito fosse, Eddie o seguiria com roupas e sapatos de show. E Tito sempre perguntava a Eddie e sua parceira: Vocês querem se apresentar? Eddie Torres sempre se sentiu privilegiado pelo fato de estar trabalhando para Tito. Finalmente Eddie Torres se tornou parte fixa do formato do show. E aí propôs: “Tito, você se importaria se nós fôssemos identificados como Os Dançarinos de Tito Puente?”. Aquele sonho de ser identificado como o grupo de dança de Tito tomou a forma de uma jaqueta com a foto de Tito Puente tocando timbales e uma frase logo abaixo dizendo: Os Dançarinos de Tito Puente, e Tito aceitou. Era a maior honra de Eddie, que se tornou maior ainda quando Jimmy Frisaura disse: “Tito não divide o palco com ninguém assim de cara. Ele gosta de você”

QUEREMOS DANÇA E MÚSICA LATINAS

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Na metade dos anos 80, toda referência latina estava fora de moda e conseguir trabalho como dançarino latino estava difícil. Numa ocasião, Eddie quis dançar em um Show Latino no Madison Square Garden, onde Tito iria tocar. Mas Ralph Mercado disse: “Não, não, não. Eu contratei o grupo Disco Dance Dimensions para o show de abertura. Não vejo motivo algum para você se apresentar. Não é isso o que as pessoas querem.”. Triste e magoado com aquilo, explicou sua frustração a Tito. O maestro disse: “Não se preocupe… os levarei como os Dançarinos de Tito Puente, e direi a Ralph para não se preocupar com nada.”

Na noite do show, a Disco Dance Dimensions fez uma boa apresentação. Imediatamente depois Tito subiu ao palco e tocou Para Los Rumberos, levando a platéia ao delírio. Aí chamou os dançarinos ao palco para dançarem a coreografia de Palladium Days (um intenso e nervoso mambo). Antes de começar, Eddie avisou a Maria: “Dance com seu sangue”. Eles dançaram como se estivessem pegando fogo. Tito estampava o velho sorriso no rosto e um contente Ralph Mercado assistia o show da fileira lateral. A platéia, rugindo, deixou clara a mensagem: Eles preferiam ver dança latina acompanhando a música latina. Eles queriam deixar claro a Ralph e a todos que era aquilo o que queriam.

Depois daquela noite, Ralph Mercado passou a convidar Eddie para se apresentar em seus shows. Nos anos 90, Ralph montou seu próprio grupo de dança chamado Dançarinos do RMM, os quais animam, hoje em dia, seus shows com uma dança de salsa sensual, embora o grupo de Eddie continue a aparecer nas gigs do RMM.

O FUTURO

Durante os anos oitenta, quando Maria e Eddie surgira, havia sobrado somente alguns dançarinos bons. Fora Ernie e Dottie e o Cha Cha Aces, havia poucos resquícios da era do Palladium. Parece que esses dançarinos ficaram tão entretidos com eles próprios, que se esqueceram das gerações futuras.

Logo Eddie desenvolveu uma visão: transformar a dança latina em uma forma de arte respeitada e clássica. Reconhecendo a importância de passar a tradição da música e da dança para as futuras gerações, Eddie Torres se esforçou para isso acontecer. As pessoas riam dele: “Eddie, o que você está fazendo? Essa dança está morta.”, mas ele deu continuidade à sua missão com determinação.

Antes de Eddie Torres aparecer, ninguém falava sobre conceitos de técnica e estrutura. Ele ensinou milhares de pessoas apaixonadas pela dança. Seu programa para crianças, no Bronx, ensina aproximadamente trezentas crianças por ano, contado com sua filha Nadia que, aos dez anos, já era considerada uma profissional.

A particular idéia de oferecer salsa ou mambo juntamente com as danças já existentes como jazz, ballet e sapateado garante o futuro da dança latina pelas gerações a seguir. O programa criado por Eddie é administrado por Maria atualmente.

HE’S GOT STYLE

Quando a dança latina veio para Nova Iorque, era dançada em posição aberta, ou seja, dois dançarinos dançavam um de frente para o outro, sem muito contato. Mas os dançarinos da segunda geração após o Palladium começaram a dançar cada vez mais juntos, como ocorre hoje em dia com as danças de casal. Parece que há uma fascinação das pessoas para inventar giros e estar em contato com o parceiro.
Os dançarinos do Palladium deixaram sua marca no estilo nova-iorquino de dançar a música latina. Eddie comenta: “Em Nova Iorque, as pessoas gostam de se vestir com pompa, falar com pose, ser descoladas e ter estilo. Nascer e ser criado no Harlem cria uma certa atitude sobre o modo de andar pelas ruas, falar e usar a linguagem corporal. Isso carrega uma assinatura tão marcante, que se eu visse alguém de New York dançando no Japão, o reconheceria.”

Os musicais da Broadway, as danças Africanas e o Flamenco foram todos fontes de inspiração para Eddie. Assintindo, imitando e admirando os bons dançarinos, Eddie aos poucos foi se tornando muito bom. Com uma habilidade incrível para imitar, incorporou um pouco de jazz, de ballet, de sapateado, de dança moderna, e surgiu com seu próprio estilo. Observando as diferentes assinaturas de cada dançarino top, Eddie conseguiu pegar um pouco de cada: os movimentos do jazz e as expressões de estilo de JoJo Smith, o jeito tipicamente cubano de Freddie Rios e os movimentos de Loui Máquina. Na dança, isso é conhecido como estilo eclético.

O REPERTÓRIO DE EDDIE TORRES

A professora de dança de salão June Laberta foi a maior influenciadora de Eddie. Ela ensinava todo tipo de dança, sendo sua paixão, o mambo. Muitas vezes, June ia com Eddie ao Corso, onde o estranho casal dançava como um trovão. Ele tinha cerca de vinte anos, e ela já beirava os sessenta. Criando pequenos passos intrigantes e muito legais vindos do jazz e de tudo mais que ela sabia, a leve Laberta fazia giros de uma dançarina profissional.
O modo de ensinar de June foi decisivo na carreira de professor de Eddie. Ela disse: “Eu posso te ajudar a aprender a linguagem do ensino.”. Ela passou a levá-lo às sextas-feiras ao lugar onde lecionava, já avisando: “Essas pessoas são muito aplicadas e apaixonadas por dança. Se você não marcar o tempo dois, não for consistente com o tempo da música e não souber responder às perguntas teóricas que eles fazem, eles usarão isso contra você. Muito seguro de si, depois de ter feito seu footwork, ouviu a desagradável pergunta: “Você marca no tempo dois?”. Naquela época Eddie não se apegava muito a questões teóricas da dança. Mas, para sua sorte, ele marcou durante toda a vida, desde o começo, o tempo dois, ele só não sabia disso. E June insistia: “A teoria o destacará como dançarino, professor e coreógrafo. Você irá muito mais longe com esse conhecimento.”. Mas Eddie era resistente quanto a isso. Quinze anos se passaram desde então até que aprendesse a parte teórica da dança.
Graças a June Laberta, todos os passos de Eddie têm nome. Esse repertório de passos e giros com seus respectivos nomes torna possível aos alunos relacionarem os movimentos aos nomes, facilitando o aprendizado. O programa de aulas de Eddie, com trezentos passos, tem estranha semelhança com os hábitos dos aplicados alunos de dança de salão da época de June, ou seja, a mesma necessidade da teoria e da metodologia. Seu laboratório de passos é interno. Às vezes novos passos surgem de sua cabeça durante uma aula. Às vezes apenas brincando com um tempo ou frase musical, nasce um passo. Hoje em dia, a parte mais divertida de tudo isso é achar nomes para os passos inventados.
Hoje, alunos de dança estão superando aqueles que dançavam apenas socialmente durante anos. Eddie Torres recebe telefonemas a toda hora, e diz: “Sou um ótimo dançarino; as pessoas param para me olhar.”. Basta os dançarinos assistirem a uma aula, que já ficam humildes. O talento natural ajuda muito, mas Eddie Torres avisa: “Nós, latinos, acreditamos que sabemos dançar muito bem, pois somos latinos e nascemos com isso. Mas isso não é verdade.”.
“Já dancei por alegria, já dancei por tristeza. Esse é o tipo de dança que, se você quiser pular e gritar “Azúcar” como Célia ou quiser mexer os ombros e balançar a cabeça, tudo bem… Você pode ser você mesmo.

Devemos agradecer a Tito Puente por permitir a apresentação de danças em seus shows e por sempre fazer seu breve discurso sobre como a dança é importante ao apresentar nossos amados dançarinos latinos à platéia.

As conquistas de Eddie incluem também suas muitas colaborações com coreografias para vídeos de música de artistas como Ruben Blades, Tito Neves, José Alberto El Canário, David Byrne e para a Orquestra de la Luz; incluem também a fundação de uma companhia de dança e shows no Carnegie Hall, no Teatro Apollo, no Madison Square Garden e um show para o presidente George Bush.